Chico Ferreira: Banqueiros no banco dos réus

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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Banqueiros no banco dos réus





  
Há crescente esperança nas áreas mais atuantes do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça Federal em Brasília e em Curitiba no sentido de que o empresário Eike Batista possa ser o caminho para revelar a participação dos bancos na Lava Jato e outras inúmeras práticas ilícitas. Todos sabem que para movimentar volume tão gigantesco de dinheiro, como na Lava Jato, é impossível não ter a participação dos bancos, sobretudo os maiores privados, que são capazes de gerenciar algo dessa dimensão e complexidade. Não se pode esquecer que foi com esses bancos que Eike levantou dezenas de bilhões de dólares.
Os principais analistas desses mesmos bancos ficaram anos escrevendo maravilhas sobre o Grupo X e criando todo um mundo de ilusão com o intuito de valorizar de forma desonesta os lançamentos de ações, chamados de IPOs, gerando ganhos exorbitantes para os banqueiros.
Mais do que isso, também foram exatamente esses bancos que realizaram o maior aumento de capital da história mundial para a Petrobras, com 70 bilhões de dólares de uma única vez, que foram usados como fontes para pagar a corrupção recorde internacional, objeto da Lava Jato.
Foram igualmente esses superbancos os principais responsáveis por grande parte da dívida corporativa da Petrobras, a maior da história do planeta, atingindo 128 bilhões de dólares, da mesma forma utilizada para pagar as propinas monumentais que envergonham o Brasil perante o mundo.
Com isso, a Petrobras só não é uma empresa insolvente por ser estatal, mas tem graves dificuldades para pagar seus fornecedores, tem diminuído o pagamento de impostos, demitido mais de 180 mil profissionais, dentre outras incontáveis mazelas. Enquanto isso, os banqueiros esconderam no exterior fabulosas somas que ganharam dessas operações desonestas, os bancos continuam surfando na desgraça da nossa principal estatal.
E ainda ficam pressionando para a Petrobras colocar tudo o que tiver valor à venda, pois assim eles, os grandes bancos, podem mais uma vez ganhar dinheiro farto e fácil com essas operações enquanto os banqueiros poderão continuar a receber bonificações multimilionárias. Ou seja, os grandes bancos e seus banqueiros inescrupulosos estão por trás de todos esses movimentos nocivos e desonestos, mas o poderio deles é tão monumental que conseguem ficar ausentes de toda e qualquer inquirição até o momento.
A esperança é que Eike, do fundo do seu sofrimento e escalando suas tendências megalômanas, possa agora contribuir para realmente cumprir sua promessa feita ao Fantástico quando disse: “Vou passar as coisas a limpo e sinceramente vou mostrar como é que são as coisas”.
Oxalá seja aproveitado esse momento único unindo a coragem do Ministério Público Federal com as ações da Polícia Federal, aliada a celeridade da Justiça Federal. O Brasil não pode ficar sendo eternamente vítima dos verdadeiros donos do dinheiro e vendilhões do templo.
CABEÇA RASPADA– Tão logo chegou ontem de Nova Iorque no Rio, para se entregar à Polícia Federal, Eike Batista passou pela humilhação de ter a cabeça raspada e ser obrigado a usar uniforme de detento sendo colocado dentro de uma viatura e levado para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste. O empresário ficará na Cadeia Pública Bandeira Stampa, conhecida como Bangu 9. O motivo seria a falta de segurança na penitenciária. Por não ter nível superior, Eike não pode ir para Bangu 8, mesmo presídio em que está o ex-governador Sérgio Cabral e outros presos durante as operações Calicute e Eficiência, desdobramentos da Lava Jato.