Chico Ferreira: Governo planeja punir 'traidores' da PEC que restringe gastos públicos

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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Governo planeja punir 'traidores' da PEC que restringe gastos públicos


Governo planeja punir 'traidores' da PEC que restringe gastos públicos


Os integrantes da base aliada que votaram contra a aprovação do projeto de emenda constitucional (PEC) que limita o crescimento dos gastos públicos devem ser punidos pelo governo. Apesar de o discurso oficial não falar em retaliação, o Planalto já elabora um mapa dos "traidores" que podem ser punidos com retirada de cargos, emendas e diminuição de espaço no governo, de acordo com interlocutores do presidente. A ameaça de represália do governo chegou a lideranças da Câmara com o recado de que os deputados serão tratados "de forma proporcional ao voto". A avaliação no Planalto é de que cerca de 15 deputados precisam dar justificativas para terem se ausentado ou votado contra o governo, já que o próprio Temer se envolveu pessoalmente nas negociações para aprovar a PEC que pretende tornar uma "marca e um legado" de seu governo. "Não podemos fingir que nada aconteceu, pois essa era 'a votação', a marca e o símbolo do governo", observou um interlocutor. Ao aproveitar o embalo da aprovação do projeto, com expressivo placar, a equipe de Temer vai cobrar coesão da base aliada a fim de tentar acelerar a agenda de votações de interesse do Palácio do Planalto no Congresso. O discurso é de que os aliados precisam estar afinados com o governo para se preparar para a "batalha" da reforma da Previdência, considerada a mais polêmica delas. Nessa negociação, o Planalto pretende também agradar os que votaram a favor, acelerando nomeações de apadrinhados dos parlamentares. A avaliação de aliados do presidente é que, por mexer diretamente com a vida do cidadão, haverá uma resistência maior às mudanças na Previdência, que têm de andar até o final do próximo ano, sob pena de naufragar em 2018, ano eleitoral. A oposição no Congresso, desarticulada na discussão da PEC do Teto, também se prepara para um embate mais duro em relação a essas mudanças. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que Temer vai conversar com parlamentares que não votaram com o governo na PEC. "O presidente Michel Temer disse que haverá uma 'DR' com que não tem teve condições de acompanhar o governo ontem (anteontem)", disse. Um dos principais interlocutores do Planalto no Congresso, o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), defende que haja "nitidez e transparência" dos integrantes da base na defesa das propostas do Planalto. "Quem não votou, vai ter de se explicar, queremos ter nitidez política e base unida. Base desunida não adianta", avisou. Jucá reconheceu que, mesmo com a vitória folgada na PEC do Teto, é preciso a partir de agora fortalecer o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, principal responsável por receber e despachar as demandas dos parlamentares. "O governo ainda está em fase de montagem", ressalvou Jucá ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Após um corpo a corpo pessoal de Temer na véspera, o primeiro turno da PEC do Teto foi aprovado anteontem com 58 votos a mais que o mínimo necessário: 366 a favor, 111 contra e duas abstenções. Ainda haverá uma nova rodada de votação na Câmara e outras duas votações no Senado, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse ontem que já está atuando "pessoalmente" para aprovar a medida na Casa que comanda. "Ou votamos essa PEC, ou vamos ter de aumentar impostos, e a sociedade não aguenta mais isso", disse. As informações são do jornal Estado de S. Paulo.